Tuesday, November 25, 2008

Camadas

Escuta estas palavras e guarda-as na minha mente
o fole de carne, osso e imaginação
omaterial das palavras, feito de palavras
Cola o céu na contracapa e sopra para secar a memória
Camada sedimentar com uma pegada de animal extinto
o gato do vizinho

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Sunday, August 26, 2007

A noite no lago

A música e os vídeos têm-me um pouco afastado da poesia, por isso deixo aqui uma das minhas últimas músicas e um dos ultimos vídeos.

Um destes dias voltarei com novos poemas

video

Thursday, July 12, 2007

Corpo celeste

Primavera e Outono simultâneos
Flor e estrela
Nos teus braços corpo celeste

Entrar na atmosfera e arder
Fogo e água
Incêndios espontâneos

Sunday, June 17, 2007

O oleiro

Já falei infinitas vezes nos mil tons de verde que as suas mãos regam entre as sombras.
Atravessavas o canavial e o canavial atravessava-te.
A água corre à sombra e toca a música dos regatos a anos-luz. Barro onde se afundam os pés, moldes de pés, moldados. Moldes donde sai o meu corpo e o teu.
Dentro de ti ganho uma nova forma.

Tuesday, March 13, 2007

Margem do céu

Água do rio, Lua derretida na margem.
Muda de cor. Cor muda.
Garrafa de plástico entre as folhas podres e vivas.
Debaixo da romaneira o gato e o Sol aquecem-se um ao outro.
Do principio ao fim, sem principio nem fim.
Procurava a transparência com que se vestir. Sombra da Lua. Reflexo imaginado num lago só lembrado.
Flechas escapam dentro do olhar. Longe do voo e do vento.
Os ramos entrelaçam-se até formar novas formas, outros ramos, outras ideias de ramos.
A cem metros da margem afundava-se o infalível e o pensamento flutuava pela última vez na flor do fim.

Wednesday, January 10, 2007

Ressaca no sistema binário

Sentia no ouvido as vozes que me visitavam. Voam em círculos.
Língua vítrea.
Sons transparentes.
Voam em círculo no circuito dos cabelos.
Sentimos distúrbios no sistema.
Quero outra pele que esta já não me serve.
Criatura que se bifurca.
Abre as asas
Movimento lento, o planeta gira, gira demasiadamente depressa. Vomito na via-láctea
Uma folha de plátano mergulha lentamente na noite.

Sunday, December 17, 2006

Vozes de vento

As mãos eram a boca, os dedos em movimento sobre o papel e a pele, a voz .

As palavras vivas, condição necessária à criação, agitavam-se, rodopiavam num furor dionisíaco, ganhavam vida

Nem as mãos, nem a boca, nem os dedos, nem as palavras, eram mais meus.